Sabemos realmente o nosso valor?
- Márcia Adriana Betteli
- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
O nosso valor é medido conforme o “tamanho da nossa régua”.
Sim! Temos uma régua para quantificarmos sobre o que é bom e o que não é em nossa Vida, nas nossas escolhas, em nosso comportamento e até, inclusive, nos comportamentos alheios.
Essa nossa régua precisa crescer conforme nos desenvolvemos enquanto indivíduos para que seja proporcional a escala de valor que damos aos outros e principalmente a nós mesmas (os).

Mas, não é sempre assim que acontece, podemos crescer e a nossa régua continuar bem pequenininha e assim, o nosso valor também pode não ser reconhecido. Então, enxergamos o mundo um pouco menos valioso, pois é assim que nos percebemos.
ATENÇÃO: Essa percepção é totalmente de forma inconsciente.
Mas, o que quero dizer com a representação do “tamanho da régua”?
Vamos agora, então, nos aprofundar sobre como a nossa mente funciona para que assim possamos nos desenvolver como seres humanos e com isso, a nossa régua também crescer!
Essa percepção inconsciente é registrada durante o nosso desenvolvimento, aqui nesse ponto, considero todos os registros intrauterinos, a convivência com os nossos genitores e/ou pais e demais pessoas envolvidas na nossa educação, o ambiente onde crescemos, memórias herdadas de nossos ancestrais e de outras vidas que já vivemos e vou mais além, pensamentos, ideias que acessamos de qualquer outro ser e que adentram o nosso campo, a nossa mente.
É bem profundo! E é um processo muito individual, cada um de nós tem o seu.
O modo como nos vemos, as demais pessoas e como vemos mundo é a forma que aprendemos. E aprendemos pela maneira a qual fomos tratadas (os), amadas (os), vistas (os) e respeitadas (os) desde pequenos (inclusive dentro da barriga da mamãe) e também, de como respondemos a todo esse modo e o meio em que convivemos.

Vou exemplificar com uma forma que pode nos acontecer: se eu nasço, cresço e vivo em um “campo de batalhas” onde havia muitas brigas entre meus pais ou entre os cuidadores, me expressarei assim na minha vida adulta, como uma extensão do que vivi durante toda a minha a infância, com muitas brigas, desentendimentos, conflitos, falta de limites, desrespeito comigo e com as demais pessoas. Eu até posso não gostar de brigas, entretanto, a familiaridade com esse tipo de comportamento me faz encontrar pessoas para conviver que irão sempre "ter motivos" para brigar comigo.
Logo, as situações conflituosas antes geradas por quem cuidava de mim, agora são gerados por mim mesma, porque foi isso, foi assim que aprendi.
Mas atenção! O nosso olhar agora, de adultos, não é para culpabilizar qualquer pessoa envolvida em nosso cuidado e sim, para apenas, entender, para poder e conseguir realizar, amar, se respeitar, saber dar limites claros e precisos, se valorizar para a nossa régua crescer!
Porque, na realidade, a culpa não existe! Existem fatos vividos, pois cada pessoa envolvida em nosso desenvolvimento realizou da maneira que sabia e conseguia no momento, dependendo também, da história de Vida de cada um.
O exemplo citado é uma das variadas formas em que vivemos durante o nosso crescimento com os nossos pais ou responsáveis por nós.
E funciona como que se a mente pudesse ficar congelada naquele tipo de aprendizagem (essa é a nossa bagagem interna, inconsciente), fazendo com que a nossa régua também fique do mesmo tamanho sempre. Ou seja, não há desenvolvimento saudável quanto a minha forma de me valorizar e de valorizar as outras pessoas e tudo ao meu redor.

Um outro exemplo de como esse mecanismo inconsciente pode ser visto na Vida prática:
Eu vivo em um relacionamento íntimo (mas pode ser de amizade ou até com meus familiares) “entre tapas e beijos” e recebo após uma discussão ou término de relacionamento um ramalhete de flores ou uma cesta de chocolates ou a outra pessoa usa meu nome para homenagear outra pessoa ou para colocar em um bichinho de pelúcia ou até mesmo de verdade, de estimação e, eu me sinto especial, como se tivesse sido algo grandiosíssimo! Volto rapidamente a falar com a pessoa e durante a conversa, o motivo da discussão nem é lembrado mais ou se é lembrado, é apenas para reportar que a culpa é sempre minha dos desentendimentos, não é para um pedido genuíno de desculpas e sim, para aumentar mais um pouquinho, dia após dia, a minha confusão mental cujo cuidado se torna essencial para se viver melhor a cada dia.
Com muito amor,
Márcia Adriana Betteli




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